“Sejamos francos, Jazz é apenas barulho insolente.” – O Talentoso Ripley (1999)
Felizmente, essa não é a visão da Universal Production Music, embora não seja uma opinião incomum. O jazz costuma ser visto como um dos gêneros mais polarizados dos gostos musicais: ou se ama, ou se odeia. Mas por que algumas pessoas adoram um determinado gênero musical, enquanto outras o detestam?
O gosto musical se desenvolve a partir de diversos fatores: contexto cultural, condição socioeconômica, influência de familiares e amigos, funcionamento neurológico e traços de personalidade.
Por exemplo, uma criança de família abastada, cujos pais frequentam a ópera ou investem em aulas de música tradicional, tende a ter mais contato com a música clássica — e, consequentemente, a desenvolver apreço por esse gênero.
Já um adolescente cujo círculo social idolatra um estilo específico, como o punk rock, tem mais chances de ser influenciado pelos amigos e passar a gostar dele também.
O gosto musical pode ainda ser afetado pela forma como cada pessoa processa o som. Alguns cérebros priorizam o processamento da linguagem e se concentram mais nas letras, enquanto outros tendem a perceber e valorizar mais o ritmo.
E há, por fim, o fator personalidade.
Um papel relativamente pequeno
Estudos sobre as preferências musicais associadas aos cinco grandes traços de personalidade: abertura a experiências, extroversão, neuroticismo, amabilidade e conscienciosidade — sugerem que existe, sim, uma correlação entre o tipo de pessoa que você é e a música que gosta de ouvir.
É importante ressaltar, no entanto, que a magnitude da maioria dessas correlações é próxima de zero. Ou seja, está longe de ser uma ciência exata. Ainda assim, é possível traçar algumas associações gerais entre traços de personalidade e preferências musicais.
Abertura a experiências = Jazz, música clássica, estilos ecléticos
Pessoas mais abertas tendem a apreciar com maior facilidade a complexidade e a originalidade desses gêneros, que costumam ser mais elaborados do ponto de vista melódico.
Extroversão = Pop, eletrônico, rap, hip-hop, soul, dance
Extrovertidos formam um grupo bastante amplo no que diz respeito ao gosto musical. Em geral, preferem estilos que combinam energia, ritmo e melodias marcantes, criando uma atmosfera animada.
Neuroticismo = Rock, heavy metal, grunge
Quem apresenta altos índices de neuroticismo costuma ouvir gêneros associados à rebeldia, como rock, metal e grunge — e, em alguns casos, punk, por sua intensidade. Esse grupo também tende a usar a música como forma de regular estados emocionais negativos.
Amabilidade = Pop, easy listening
Consideradas emocionalmente intensas, pessoas mais amáveis tendem a se sentir mais confortáveis com gêneros musicais suaves e relaxantes.
Conscienciosidade = Pop, country, soft rock, folk
As preferências desse grupo contrastam com as do grupo mais neurótico. São pessoas que gostam de músicas estruturadas, sem caos — positivas, leves e pouco agressivas.
Se você quiser descobrir qual é o seu tipo de personalidade, há diversos recursos disponíveis on-line, incluindo uma versão gratuita oferecida pela Universidade de Liverpool.
O gosto musical está ligado à inteligência?
Os cinco traços de personalidade e, por extensão, as preferências musicais associadas a eles, não estão diretamente correlacionados a níveis mais altos ou mais baixos de inteligência.
Alguns aspectos específicos de cada traço podem, em diferentes graus, sugerir certas habilidades cognitivas. Um exemplo é a abertura a experiências, que envolve a disposição para lidar com ideias novas e apresenta uma associação moderada com inteligência. Já um aspecto do neuroticismo, o temperamento negativo, pode — ainda que de forma muito limitada — dificultar níveis mais elevados de pensamento abstrato.
Ainda assim, trata-se de subtraços dos cinco grandes fatores de personalidade e, no máximo, indicadores bastante restritos de inteligência.
Um estudo que relaciona de forma mais direta inteligência e preferência musical foi publicado pela American Psychological Association. A pesquisa concluiu que a inteligência é um preditor significativo da preferência por música instrumental, mas não da preferência por música vocal-instrumental.
Isso significa que níveis mais altos de inteligência podem predispor alguém a gostar de música instrumental — mas não que gostar desse tipo de música seja, por si só, um sinal de maior inteligência.
Mais importante ainda: ouvir músicas com letras marcantes não torna ninguém menos inteligente.
Inteligência não é tudo. Nem personalidade.
A inteligência é apenas um dos elementos da nossa personalidade e não define de forma restrita o nosso gosto musical. As preferências musicais evoluem com o tempo, à medida que amadurecemos, ajustamos nossa forma de pensar e ampliamos nossa experiência de mundo.
Nossas relações podem nos apresentar gêneros que antes não consideraríamos. Nossa visão de mundo também muda, influenciando o apreço por estilos mais ou menos convencionais.
O que buscamos e valorizamos em nosso gênero favorito resulta de um conjunto altamente pessoal de influências, que vai da biologia e da formação cultural à experiência de vida — e até ao nosso humor no momento.
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